Vídeo: jornalista turco escapa de tentativa de assassinato

jornalista turcoOs jornalistas Can Dundar e Erdem Gul(VEJA.com/AP)

O jornalista opositor turco Can Dündar escapou nesta sexta-feira de um ataque armado diante do tribunal de Istambul, onde foi condenado a cinco anos e dez meses de prisão por “revelar segredos de Estado”. À agência de notícias EFE, ele contou que o agressor disparou duas vezes, mas acabou ferindo levemente outro jornalista, e foi detido imediatamente.

“Eu estou bem, mas não conheço esta pessoa”, disse o editor-chefe do jornal Cumhuriyet, após o ataque. O homem, cuja identidade ainda não foi revelada, teria gritado “Traidor!” antes de disparar vários tiros contra as pernas de Dündar, segundo a imprensa local.

“Estávamos saindo do tribunal para tomar um chá quando um homem se aproximou e gritou: ‘Você é um traidor’ e disparou contra mim. Não me atingiu. A bala raspou em um colega”, relatou o jornalista. “Primeiro, minha mulher se jogou sobre o homem armado, depois um deputado (que assistia ao julgamento) o agarrou por trás. Não o conheço, mas sei quem o incitou. Aqueles que há tempos nos vigiam”, explicou.

 

O ataque aconteceu quando Dündar e seu chefe em Ancara, Gül Erdem, esperavam o veredicto do tribunal. Eles foram acusados ​​de espionagem, divulgação de segredos de Estado e tentativa de golpe por terem divulgado, em 2014, um artigo e um vídeo revelando o fornecimento de armas pelos serviços secretos do governo do presidente turco Recep Tayyip Erdogan a rebeldes islâmicos na Síria.

Os dois homens foram absolvidos da acusação de “espionagem”, mas acabaram sendo condenados por “divulgar segredos de Estado”. Dündar foi condenado a cinco anos e dez meses de prisão e Gül, a cinco anos. “Em um espaço de duas horas, passamos por duas tentativas de assassinato: uma foi feita com uma arma e a outra foi judicial”, afirmou Dündar após o anúncio do veredicto.

Prisão – Dündar e Gül foram detidos em novembro de 2015 e passaram três meses em prisão preventiva antes de a Suprema Corte ordenar a libertação provisória deles, uma decisão que foi duramente criticada pelo presidente Erdogan, que se envolveu pessoalmente na ação. O chefe de Estado declarou que não aceitava e nem respeitava a decisão judicial. O líder do governo turco insistiu que os repórteres deveriam “pagar um alto preço” e exigiu que os tribunais inferiores que não acatassem a sentença do Supremo.Os jornalistas Can Dundar e Erdem Gul

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