Vídeo mostra óleo sedimentado e submerso na Praia do Paiva, em meio a recifes

Pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco registrou substância dentro da água, no fundo, dias depois de limpeza. (Foto: Paulo Carvalho/Reprodução/WhatsApp )

Dias depois da limpeza do óleo que atingiu a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, blocos da substância foram encontrados sedimentados dentro da água, no fundo, em meio a recifes. Um pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) registrou o material próximo a corais e peixes.

As imagens foram feitas na quarta-feira (23), pelo oceanógrafo Paulo Carvalho. O óleo chegou à Praia do Paiva na segunda-feira (21).

“O óleo estava submerso numa área onde está a maior parte das piscinas naturais do Paiva. Há placas significativas da substância, numa região arenosa. São placas muito grandes, mas também há fragmentos pequenos, que ficam impregnados às pedras, nesses casos, é ainda mais difícil de remover”, afirmou o professor.

Paulo Carvalho, que desenvolve uma pesquisa na área de poluição aquática, foi até os locais atingidos para avaliar efeitos do desastre ambiental nos peixes. Segundo ele, o petróleo que chegou à costa pernambucana apresenta sinais de dissolução.

“Esse petróleo está chegando emulsificado. Embora isso facilite a remoção, é impossível tirar os pequenos fragmentos e ele já está iniciando um processo de gradativa dissolução. Em alguns locais, depois da retirada, é possível ver uma nata de óleo na superfície. E isso, sem dúvidas, afeta todos os organismos vivos que estão nesse ambiente”, disse o pesquisador.

Nesta quinta-feira (24), amostras de água da Praia do Paiva e outras afetadas pelo desastre começaram a ser coletadas como parte de uma pesquisa que busca entender os riscos para o meio ambiente e para a população. O trabalho de coleta é feito pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) e a análise, pela UFPE.

Segundo Paulo Carvalho, que também desenvolve uma pesquisa na universidade desde antes do desastre, a análise dos peixes nativos dos locais afetados é importante para saber os efeitos do incidente.

“Temos uma espécie de peixe conhecida como ‘donzelinha’ e é tida como sentinela de mudanças biológicas. Vamos analisá-la nesse momento posterior às manchas para saber os efeitos desse petróleo”, diz Paulo.

Óleo em Pernambuco

Entre o dia 17 de outubro e a quarta-feira (24), mais de 958 toneladas de resíduos recolhidas, em Pernambuco. No período, foram atingidos 10 municípios, sendo que Itamaracá, no Litoral Norte, registrou a substância nesta quinta-feira (24). O primeiro deles foi São José da Coroa Grande, no Litoral Sul, que, na quarta-feira (23), teve o decreto de situação de emergência reconhecido pelo governo federal.

No município, 17 pessoas que tiveram contato com o petróleo foram ao hospital com sintomas provocados por reação à substância.

Além de Itamaracá e São José da Coroa Grande, também foram atingidos pelo óleo Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Barreiros, Tamandaré, Rio Formoso, Sirinhaém, Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. O Recife montou barreiras para evitar a chegada do óleo aos estuários.

Na quarta-feira, representantes de 15 prefeituras se reuniram com o governo estadual para planejar ações de prevenção e contenção do óleo. Também na quarta, o governador Paulo Câmara (PSB) anunciou um edital de R$ 2,5 milhões para 12 projetos de pesquisa para analisar a toxicidade do petróleo e seus efeitos na água, ecossistema e alimentação.

Governo e prefeituras traçam planos de ações e prevenção do óleo

Especialistas afirmam que o impacto do óleo no meio ambiente vai durar décadas, com prejuízo para espécies marinhas, para toda a cadeia alimentar e para os seres humanos. Além do recobrimento de praias, arrecifes, mangues e solos rochosos, que são difíceis de serem limpos, os fragmentos se decompõem e há moléculas nocivas ao ecossistema e à fauna.

Desde a terça-feira (22), o Exército passou a trabalhar também na limpeza do litoral pernambucano, após determinação do vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB). Até então, voluntários estavam se deslocando até os locais afetados para fazer a limpeza.

Na quarta, o governo federal anunciou que vai solicitar formalmente à Organização dos Estados Americanos para que a Venezuela se manifeste oficialmente sobre o óleo.

G1-PB