Visita de Putin à Crimeia aumenta tensão entre Rússia e Ucrânia

vladimir putimEm conversa por telefone na noite de sexta-feira (19), o vice-presidente americano, Joe Biden, e o presidente ucraniano, Petro Porochenko, se disseram alarmados com a escalada de violência no leste da Ucrânia. O presidente russo Vladimir Putin faz sua quinta visita à Crimeia desde que a região foi anexada pelo país em 2014, e Porochenko diz não descartar uma invasão russa em grande escala.

Com nossos correspondentes em Moscou e Lviv, Jeanne Cavelier e Sébastien Gobert

Putin chegou nesta sexta-feira à Crimeia, onde presidiu um conselho de segurança russo após o aumento das tensões entre Moscou e Kiev a respeito desta península ucraniana anexada.

“Não é por acaso que estamos reunidos hoje aqui na Crimeia”, disse Putin no início da reunião, em Sebastopol. O objetivo: “tomar medidas suplementares para assegurar uma melhor proteção da Crimeia”, disse o líder russo. “Parece claro que nossos parceiros de Kiev escolheram uma escalada na situação. Estamos acostumados. Esperamos que o bom senso prevaleça”, completou.


A viagem ocorre duas semanas após as supostas tentativas de sabotagem por parte de Kiev na península. No dia 10, o serviço secreto russo declarou ter evitado uma tentativa de atentado preparada pela Ucrânia, o que teria causado a morte de dois soldados russos. As acusações, consideradas graves, foram negadas por Kiev. Mas, para Putin, tudo está claro: a Ucrânia que desestabilizar a Crimeia.

Segundo Putin, a Ucrânia não quer cumprir suas obrigações do Acordo de Minsk e é incapaz de explicar a sua população os erros cometidos em sua política socioeconômica. Mas, por enquanto, segundo Putin, nada de se falar em ruptura das relações diplomáticas.

Manobras militares russas

As forças armadas russas começaram a realizar manobras terrestres e marítimas. Na Crimeia, são realizadas reparações técnicas de navios em pleno mar e revitalização de submarinos. No total, 2.500 soldados e 350 veículos foram posicionados no local.

A Ucrânia rejeita as acusações e colocou suas tropas em estado de alerta vermelho ao longo da linha de demarcação com a Crimeia. As autoridades denunciam “um pretexto para novas ameaças militares” russas. Porochenko disse que “as forças armadas ucranianas estão prontas para revidar uma invasão russa”. A Ucrânia também se prepara para celebrar 25 anos de sua independência.

Também na sexta-feira, a chanceler alemã Angela Merkel disse que Moscou não cumpriu todas obrigações decididas no Acordo de Minsk e que, portanto, nada justifica um fim nas sanções impostas à Rússia pela União Europeia, pelo menos por enquanto.

Noticiário Francês