odorico

A Volta de Odorico Paraguaçu e o Grande Teretetê de 31 de Julho

ododrico paraguaçuDia desses, gravei uma conversa ao telefone que me parece deva ser compartilhada:

– Alô! Quem fala?
– Aqui é o Odorico Paraguaçu.

Pois é isso mesmo. Fiquem vocês sabendo que Odorico Paraguaçu não morreu coisa nenhuma. Aqueles acontecimentos que abalaram a cidade de Sucupira, a morte nas mãos do pistoleiro Zeca Diabo e o enterro pomposo, tudo aquilo foi armação. A verdade é que, metido até o pescoço em falcatruas, o prefeito Odorico teve notícia de que estava em curso uma tal Operação Lava Rato e resolveu sumir do mapa. Armou a trama com Zeca Diabo, passou por morto, fez todo mundo de besta, inaugurou o cemitério e se escafedeu para os Estados Unidos, onde mora até hoje, na Flórida, cidade de Orlando, no mesmo condomínio do Sílvio Santos.

Odorico queria saber de mim se a manifestação do próximo domingo, 31 de julho, está confirmada. Bem, é melhor continuar reproduzindo o diálogo:

– Amigo Odorico Paraguaçu, que surpresa! Mande as ordens.

– Nobre amigo Washington Rocha, estimaria saber se o manifestamento apoteótico para defenestração terminativa e conclusória da Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff nas conformitudes jurisprudenciais do impichamento derrogatório está confirmado para domingo próximo, dia 31 de julho.

– Confirmado. Nas capitais e muitas outras cidades, inclusive em Sucupira, em frente ao Cemitério Público, aquele que o nobre amigo construiu quando foi prefeito e inaugurou quando foi defunto. O amigo vai comparecer?

– Comparecerei duplamentemente. Fazer-me-ei presente no manifestamento “Fora Dilma!”, dos coxinhas, e no manifestamento “Volta Dilma!”, dos mortadelas; tudo mesmamente no mesmo dia. Vai ser um Grande Teretetê.

– Seja bem-vindo, Odorico. Mas o nobre amigo não teme ser preso se voltar ao Brasil? A Operação Lava Rato lá de Sucupira foi desativada, mas tem agora uma tal de Operação Lava Jato que é o pavor dos corruptos.

– Oxentemente!, o nobre amigo Rocha está desfazendo do amigo Paraguaçu? Nuncamente Odorico Paraguaçu se meteu em coisas de corruptismo. Mesmamente houvesse praticado tais cometimentos delituosos, tais crimes corruptistas estariam já prescritos, proscritos e preclusos. Os pratrasmentes não contam mais; prafrentemente, de alma lavada e enxaguada, sou ficha limpa e alvejada.

– Então vem pra rua, amigo Odorico. Aqui em João Pessoa, o manifestamento apoteótico dos coxinhas, como diz o amigo, será no Busto de Tamandaré.

– Local otimamentemente escolhido, na formosura ensolarada da Praia de Tambaú, que eu frequentementemente frequentei nos verdes anos vadios da minha mocidade, antes dos atarefamentos da minha sacrificosa devoção política. Entrementemente, gostaria, todavia, que o amigo me informasse o espaço logradouro do manifestamento dos mortadelas, de que também tive notícia.

– Isso eu não sei. Tenho, porém, alguns amigos mortadelas, cordiais adversários, que me podem informar. Mas o nobre amigo, eterno prefeito sucupirano, vai aos manifestamentos aqui em João Pessoa ou em Sucupira?

– Dever-me-ei fazer presente nas duas lindas cidades, pois viajo no meu jatinho supersônico, modelo de última geração aviônica, o Super-Sucupira I.

– O amigo está bem de vida. Se mal pergunto, o nobre prefeito, que não é mais, vive de quê?

– Pergunta bem, nobre amigo Rocha. Depois que deixei a prefeitura de Sucupira, por aqueles modos precipitados, rocambolescos e novelosos, adentrei-me ao ramo das consultorias, onde muito tenho progredido, progressionado e prosperado; sobejamentemente requisitado que sou devidamentemente ao meu vasto know-how político e administratório.

– De fato, é um bom negócio, esse das consultorias. No Brasil, tornou-se especialidade de ex-ministros.

– Também profiro palestras remuneradamentemente compensatórias. Não tenho do que me queixar. Aliasmente, nunca fui um negativista para andar com queixamentices; sou um positivista. E como dizia o grande Augusto Comte,  os negativistas vivem parados e paralíticos nos pratrasmentes sombrios do passado que já passou, enquanto os positivistas constroem destemerosamentemente os prafrentementes deslumbrantes do futuro que brota do presente arrombando as madrugadas e anunciando as alvoradas das manhãs radiosas iluminadas pelo sol clarificante da sábia sabedoria popular que diz: “Sai da frente que atrás vem gente”.

– Eita, Odorico, como você fala bonito! Tinha mesmo de ficar rico com palestras tão bacanas. E por falar em palestras, o nobre amigo, que é do ramo, assistiu aí nos EUA alguma palestra do ex-presidente Lula?

–  Não apenasmente assisti, eu e meu amigo Luiz Inácio proferimos, juntos em dupla e duetando em duas vozes sonoras e roucas, memoráveis palestras recompensativas e remoneratórias, uma delas no Madison Square Garden de Nova York, com casa lotada, botando pelo ladrão. Foi, aliasmente, com o dinheiro honestamente ganho nessa palestra, com o suor da minha voz, que comprei o Super-Sucupira II e minha mansão de veraneio em Malibu.

– É realmente formidável esse negócio das palestras, melhor ainda do que o negócio das consultorias. Porém, amigo Odorico, voltando ao assunto das manifestações do dia 31, ainda não entendi sua vontade de participar nos dois lados. Afinal, você é coxinha ou você é mortadela?

– Antesmente de tudo, sou um democratista juramentado. O maismente importante é que todos desembuchem, desafoguem e digam expressamentemente o que lhes der na telha, e quem tiver telhado de vidro que se espatife no chão. É preciso soltar a voz nas estradas, como diz meu amigo Milton Nascimento. Para salvar o Brasil defendo o Grande Teretetê Cívico. Aliasmente, sou um democratista ruibarbosista, fervorosamentetemente confiante na força das ideias e das palavras para os engrandecimentos da Pátria e orgulhamentos da Nação. Todavia, contudo e entretanto, como saco vazio não para em pé e muito menos fala, estou enviando carregamentos de toneladas de coxinha e mortadela para alimentar ambos os dois lados do Grande Teretetê. Os combatentes, famintos de ideais, podem ficar também famintos no bucho. Mando esses macios manjares como adjutório desinteressadístico e imparcioso na promoção do bom debate.

– Muito bem, Odorico. E ainda tem gente que fala mal de você.

– Quem fala mal de mim é a oposição negativista e maucaratista que diz que sou um reacionarista larapista. Se tem uma coisa de que eu me orgulho nesse país para onde vou voltar é que não tem nesse país uma viva alma mais honesta do que eu. E eu sou meio socialista, emboramente não da ponta esquerda… do meio campo, caindo pra direita.

– Tá explicado. Mas o que ainda não entendi é se você quer que Temer fique ou quer que Dilma volte.

– Explicar-me-ei mesocliticamente, coisa que o Excelentíssimo Senhor Presidente Michel Temer faz muito bem, talqualmente fazia-lo meu querido, saudoso e catedrático vernaculista Presidente Jânio Quadros. Aprecio por demais tanto o Temer quanto a Dilma. Os dois perlustram com descortinada sapiência o quadro nacional e sobejamentemente exemplificam sagas edificantes. Meu amigo Temer, se não fosse tão merecedor, não mereceria ter casado com uma donzela tão belamentemente proporcionada e tão gentilmentemente prendada. Aliasmente, aconselho como acautelatório aos varões de idade, igualmentemente somos eu e o Temer, a união com jovens donzelas, verdadeira fonte de juventude e vigor trepidante e extrapolante. O Temer tem energia para levantar o Brasil. Deve ficar.

– Mas se o Temer fica, como fica a Dilma?

– Que uma coisa seja construtivista e positivista não implica, necessariamentemente, que a outra seja desconstrutivista e negativista. Minha amiga Dilma é uma mulher sapiens incompreendida. Veja aquela sapiência da estocagem dos ventos, de que muitos desapetrechados de sensatismo fizeram troça e mangação, como se fosse novidade impossível de processamento tecnologístico e industrioso. Ora, quando fui prefeito lá em Sucupira já estocava vento e exportava para os Estados Unidos, com grandes lucros compensatórios para o erário municipal.

– E lá nos Estados Unidos não tinha vento?

– Ter, tinha. Mas de má qualidade em muitas regiões, sendo o vento ianque de boa qualidade pessimamentemente distribuído, provocando desigualdades ecologísticas e colocando perigosamentemente em risco o equilíbrio ambiental democratístico do Marlboro Country. Enquanto isso, o vento de Sucupira era limpinho e transparente; queria que você visse. Posso afirmar peremptoriamentemente que eu, Odorico Paraguaçu, neto de Firmino Paraguaçu e filho do Coronel Eleutério Paraguaçu, salvei a democracia na Terra do Tio Sam com a exportação de vento estocado. Se a Dilma voltar, certamentemente e sem dúvida, irá enriquecer o país exportando vento estocado; agora, especialmente para a China, onde o ar já está pastoso de tão poluído.

– Gostei de ver. Além de ser democratista juramentado e meio socialista, o amigo Odorico tem preocupações ambientais. Desse jeito, se ficar no Brasil e não for preso, pode ser candidato a Presidente da República em 2018.

– O preclaro amigo Rocha descortinou meus desideratos longitudinais. Sempre vi longe, cogitei ergo sum, que nem Descartes, matutei voltar e nunca iria enviar navios carregados de coxinha e mortadela para tão distante sem um propósito. Sou altruístico e desinteressadístico; não obstantemente, sou, ao mesmo tempo, proposístico. Tudo na vida é regido por propósitos. Os meus são engravidados de bons intencionamentos meritórios e generosistas. Fui obrigado a me escafeder de Sucupira por causa da perseguição odienta e raivosista da imprensa marronzista, mas voltarei ao Brasil nos braços do povo. Sou candidato a Presidente e já tenho slogan, que mandei meu marqueteiro fazer, quando ele ainda estava solto: “O BEM-AMADO VOLTOU!”. Vamos botar de lado os entretantos e partir pros finalmentes: conto com o voto dos coxinhas e dos mortadelas: uma vez eleito os unirei na minha coligação política, governamentosa e administratícia, com cargo pra todo mundo. Viva o Brasil!

– Viva o Brasil! João Pessoa está de braços abertos para receber Odorico Paraguaçu neste domingo, dia 31 de Julho, no Busto de Tamandaré, na manifestação dos coxinhas. E quando estiver com nossos adversários mortadelas (adversários, não inimigos), diga a eles, amigo Odorico, que enviamos nossos respeitos. No Grande Teretetê da Democracia tem espaço para todos; só não vale agredir, quebrar, destruir, tocar fogo e cuspir. Violência não pode não; mesmo adversários, somos todos irmãos.

– É com o coração pejado de extrapolante e dinamitosa alegria que ansiosamentemente espero rever a minha Pátria Bem-Amada.

– É isso aí, amigo Odorico. Pela Pátria vale a pena lutar. Vamos lá!
31/7 EU VOU!

Washington Rocha