‘WSJ’: Ata do Fed não descarta aumento dos juros em reunião de junho

dolar cai dolarMatéria publicada nesta quinta-feira (19) no The Wall Street Journal, conta que as autoridades do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, procuraram reorientar as expectativas do mercado em relação ao calendário do aumento das taxas de juros, dizendo que uma alta em junho seria possível se novos dados econômicos confirmarem que a economia do país continua crescendo. A ata da reunião de abril do Fed mostrou que, embora as autoridades do Fed não estivessem totalmente comprometidas com uma alta de juros em junho, elas claramente procuraram manter abertas as opções naquela reunião e nas comunicações posteriores.

“A maioria dos participantes considerou que, se os novos dados estiverem consistentes com a manutenção do crescimento econômico no segundo trimestre, se o mercado de trabalho continuar a se fortalecer e a inflação avançar na direção da meta de 2% [do Fed], então provavelmente seria apropriado para o [Fed] aumentar a meta de juros dos fundos federais em junho”, diz o texto da ata, que foi divulgada ontem, dentro do tradicional prazo de três semanas após a reunião.

Segundo a reportagem, como parte desse esforço, as autoridades atenuaram sua avaliação dos riscos decorrentes das condições econômicas e financeiras globais e apontaram para o fortalecimento adicional do mercado de trabalho nos EUA, apesar de uma desaceleração aparente da atividade econômica.

“Os participantes em geral concordaram que os riscos para as perspectivas econômicas apresentados por fatores econômicos e financeiros globais diminuíram durante o período entre uma reunião e outra”, diz o texto.

O texto do Journal fala que preocupações sobre os riscos provenientes do exterior e da turbulência nos mercados financeiros levaram o Fed a evitar aumentos das taxas de juros nos primeiros meses do ano. Em discussões internas sobre as perspectivas, algumas autoridades do Fed avaliaram os riscos como mais equilibrados, enquanto outras ainda se mostravam preocupadas com as condições econômicas e financeiras globais.

Mais especificamente, alguns citaram como um fator gerador de incertezas o plebiscito em 23 de junho sobre a possibilidade de a Grã-Bretanha abandonar a União Europeia. A data é uma semana depois da próxima reunião do Fed. Os participantes também levantaram preocupações sobre “fatores inesperados” associados à forma como a China administra sua taxa de câmbio.

As autoridades do Fed assinalaram nos últimos dias o potencial para um aumento de juros em junho, indo contra a visão de muitos investidores que vinham reduzindo nas últimas semanas suas apostas de que isso ocorreria.

“Na minha opinião, os dados estão se alinhando para uma boa argumentação a favor do aumento dos juros nas próximas reuniões, não apenas em junho”, disse na terça-feira John Williams, presidente da regional do Fed de San Francisco, em uma entrevista com repórteres e editores do The Wall Street Journal.

As expectativas começaram a mudar esta semana. As apostas de um aumento nos juros em junho nos mercados futuros dispararam depois dos comentários das autoridades feitos na terça-feira.

Ontem, antes da divulgação da ata, os mercados indicavam probabilidade de 19% de uma alta nos juros depois da reunião do Fed de 14 e 15 de junho, ante apenas 3,8% no dia anterior. Eles consideravam que a chance era maior, de 38%, de o aumento ocorrer em 27 de julho, ante apenas 20% na terça-feira, e que o mais provável, com 57% de probabilidade, de ele ser anunciado na reunião de 21 de setembro.

O presidente da regional do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, também disse que não descartaria um aumento dos juros em junho. O presidente da regional do Fed de Dallas, Robert Kaplan, pediu um aumento nas taxas “em um futuro não muito distante”, dizendo que pode defender a alta em junho ou julho.

O Fed elevou sua taxa de referência dos fundos federais em dezembro, para um intervalo entre 0,25% e 0,50%, depois de deixar os juros perto de zero por sete anos. Na época, as autoridades estimaram quatro aumentos de juros em 2016, mas reduziram essas projeções pela metade na reunião de março.

As autoridades foram para a reunião de abril com um cenário indefinido da economia. E ainda não está claro se elas estarão convencidas de que a economia está forte o suficiente para sustentar uma nova alta já no início de junho.

A produção industrial se recuperou em abril, as vendas no varejo subiram para seus maiores níveis em mais de um ano e a demanda do setor imobiliário continua crescendo. Os preços ao consumidor dos EUA também saltaram, sugerindo que a inflação está começando a subir.

Contudo, esses dados vieram depois de um primeiro trimestre desapontador, quando a produção econômica cresceu somente 0,5%. O crescimento do emprego em abril também ficou abaixo do esperado.

Ainda assim, as autoridades do Fed sinalizaram que não estavam muito preocupadas sobre o aparente recuo, acreditando que ele era temporário e “que poderia em parte refletir problemas de cálculos e, se fosse isso, ele seria seguido por um crescimento mais forte [do produto interno bruto] em trimestres subsequentes”, de acordo com a ata.

A opinião não é unânime. Algumas autoridades temem que um enfraquecimento nos gastos dos consumidores e declínio nos investimentos das empresas pode ser um sinal de uma desaceleração mais persistente na atividade econômica.

Jornal do Brasil